Oceano de Sofrimento







O inferno e o céu, na verdade, não estão tão longe um do outro. Entender isso é um pouco capcioso, já que a experiência do céu é muito diferente da do inferno. Mas isso ganha sentido se considerarmos o exemplo de uma substância simples como a água. Para os humanos, a água é crucial para a manutenção da vida; para os peixes, é o seu meio ambiente; para os deuses mundanos, uma substância semelhante à ambrósia; para os fantasmas famintos, sangue e pus; para os seres dos infernos, lava derretida. Não é que a substância em si varie de um caso para outro, mas, sim, que se modifica a percepção e a experiência que seres diferentes têm dela. Da mesma forma que nossa visão se altera quando pomos óculos com graus diferentes, nossa experiência da realidade é inteiramente condicionada por nossa percepção, a qual é determinada pela extensão dos nossos enganos e fantasias.

Chagdud Tulku Rinpoche, no livro “Portões da Prática Budista“. O capítulo “Os Quatro Pensamentos que Transformam a Mente”, está disponível aqui (Dharmanet). O parágrafo acima é um trecho do subcapítulo “O Oceano de Sofrimento” (essa é uma das expressões usadas no budismo para definir os seis reinos do Samsara).


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