Pós-morte






Pintura de Alex Grey retratando o momento da morte (uma mais tranquila…).

O método de se ganhar controle é apontado quando o lama te introduz à sua própria natureza de Buda. Quando alguém se acostuma a reconhecer o estado desperto, o pensamento discursivo diminui. Não há outra maneira de fazer isso. Não podemos simplesmente expulsar a ignorância e ordenar que rigpa [a essência mais profunda da mente e de tudo que existe] apareça e permaneça. Examine se você pode fazer isso por si só. É isso o que quero dizer quando aponto que ainda não há estabilidade real. Um ser senciente é alguém que é completamente carregado pela distração.

Aqui está uma analogia da mente desgarrada no estado do bardo [pós-morte]: pegue um cavalo selvagem, um totalmente destreinado, que nunca usou rédeas ou teve uma sela no dorso. Pegue um desses, ponha uma sela, rédeas e um monte de apetrechos de carga. Então, deixe-o ir. O cavalo vai ficar completamente aterrorizado. Ele não vai saber o que é qualquer uma dessas coisas. Vai apenas sair galopando para isso cair, porque ele não tem nenhum autocontrole.

Somos desse jeito, não temos nenhum controle. Controle é estar livre de todos os defeitos e possuir todas as qualidades, como o Buda. No momento atual, a situação não é tão ruim quanto poderia ser porque ainda estamos em um corpo físico, como um pássaro engaiolado ou um cavalo preso. Mas assim que morremos, ficamos totalmente sem suporte, como o cavalo selvagem apenas galopando sem rumo.

Tulku Urgyen Rinpoche, em “Repeating the Words of Buddha“.


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