Silêncio da iluminação






[…] O Buda não ensinou um dogma; ofereceu um caminho baseado na compreensão e na experiência pessoal em vez de um credo. Sua própria busca espiritual foi de um constante questionamento e experimentação. A iluminação que conquistou, o mais alto estado desperto, não pode ser expressada na linguagem humana comum. A princípio, ele estava extremamente relutante até mesmo para falar a respeito. Mesmo depois que foi persuadido a ensinar, nunca pediu a ninguém que acreditasse no que dizia, mas somente que tentassem por si próprios. As palavras podem apenas apontar na direção da verdade; o conhecimento genuíno deve ser experimentado diretamente.

Do ponto de vista do absoluto, falar a respeito da verdade é inevitavelmente mentir, e ainda assim é da própria natureza da verdade se comunicar. Uma vez que ela é posta em palavras, ou mesmo em imagens e símbolos, torna-se submetida às limitações e distorções da linguagem e do pensamento humanos.

O Buda estava plenamente consciente das limitações da expressão humana, e ele sabia que seu ensinamento seria mal compreendido. Com frequência, permanecia silente quando era perguntado sobre questões tais como a existência do ser ou o que acontecia com uma pessoa iluminada após a morte. Em outras ocasiões, permitia ao questionador que ficasse sugerindo alternativas, e a cada uma ele dizia “não, não é assim”. Muitas vezes seu silêncio era um convite para que a pessoa olhasse mais profundamente para os preconceitos implícitos na pergunta, que era baseada em falsas suposições. Somente muito poucos eram capazes de entender seu próprio silêncio como uma resposta e iam embora satisfeitos.

Francesca Fremantle, em “Vazio Luminoso“.
Leia outro trecho desse livro.


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