Carma depois da morte






Assembleia de deidades iradas

Nesse estado, onde não temos nenhum corpo material, não podemos usar os cinco sentidos da maneira tradicional. A morte nos tirou da companhia de nossa família e amigos como um cabelo puxado de um bloco de manteiga. Mas há uma coisa que trouxemos conosco e que permanece tão perto quanto uma sombra: as ações que realizamos no passado.

Se ações negativas pesam mais, não seremos capazes de escapar dos tormentos dos reinos inferiores do samsara. Por outro lado, se as ações positivas predominam, iremos renascer em um estado de existência elevado e seremos capazes de continuar o progresso rumo à liberação.

Enquanto nossa mente viaja através da experiência em constante mutação do bardo, não podemos escolher fazer o que nos parece bom, ou parar para decidir que rumo tomar. Não há saída. Como uma pena ao vento, somos dirigidos pela força de nossas ações passadas, arrastados pelos soldados da morte. Não temos um momento de trégua para nos reconstituir. Não podemos permanecer em nenhum lugar ou partir por vontade própria. Atirado para lá e para cá, nosso corpo mental não nos obedece.

Dilgo Khyentse Rinpoche, em “The Hundred Verses of Advice“.


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