Ensinamento absoluto





Thangka tibetana (clique para ampliar) do século 18, linhagem Gelug, retratando o mestre indiano Atisha, rodeado pelos iogues mahasiddhas. Do Himayalan Art.

[Dromtönpa:] Qual é o ensinamento absoluto?
[Atisha:] De todos os ensinamentos, o absoluto é a vacuidade, da qual a compaixão é a própria essência. É como um remédio muito poderoso, uma panacéia que pode curar cada doença do mundo. E assim como esse poderoso remédio, a realização da verdade da vacuidade — a natureza da realidade — é o remédio para todas as diferentes emoções negativas.

[Dromtönpa:] Então por que tantas pessoas que afirmam ter realizado a vacuidade não têm menos apego e ódio?
[Atisha:] Porque a realização delas está apenas nas palavras. Se elas realmente tivessem entendido o verdadeiro significado da vacuidade, os seus pensamentos, palavras a ações seriam tão suaves quanto caminhar sobre um pano de algodão ou como a sopa de tsampa com manteiga. O mestre Aryadeva disse que até mesmo querer saber se todas as coisas são vazias por natureza ou não faria o samsara cair em pedaços. A verdadeira realização da vacuidade, portanto, é a panacéia última que inclui todos os elementos do caminho.

[Dromtönpa:] Como cada elemento do caminho pode estar incluído dentro da realização da vacuidade?
[Atisha:] Todos os elementos do caminho estão contidos nas seis perfeições transcendentes. Agora, se você verdadeiramente realizar a vacuidade, você se tornará livre do apego. Se você não sentir desejo ou apego por qualquer coisa de dentro ou de fora, você sempre terá a generosidade transcendente. Estando livre do desejo e do apego, você nunca será maculado pelas ações negativas e sempre terá a disciplina transcendente. Sem quaisquer conceitos de “eu” e “meu, você não terá raiva, então sempre terá a paciência transcendente. Com sua mente verdadeiramente feliz pela realização da vacuidade, você sempre terá a diligência transcendente. Sendo livre da distração, que vem do apego às coisas como sendo sólidas, você sempre terá a concentração transcendente. Como você não conceitualiza qualquer coisa em termos de sujeito, objeto e ação, você sempre terá a sabedoria transcendente.
(Continua -> Dharmanet)

Atisha e Dromtönpa, em “The Words of My Perfect Teacher“, de Patrul Rinpoche.

Leia mais em:
- Impermanência e vacuidade
- A bondade do coração


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