Sabedoria e compaixão






Parassol precioso, um dos oito símbolos auspiciosos do budismo tibetano

Sabedoria, que é chamada de a mãe dos budas, nada mais é do que a compreensão do vazio. Esse é o grande segredo do despertar. Todos os budas nascem dessa percepção, pois somente a sabedoria do vazio pode dar nascimento à iluminação. Sabedoria é a experiência direta, transformadora da realidade do vazio em nossas próprias vidas. É a certeza viva de que nada existe como uma entidade separada como normalmente acreditamos. […] vazio e sabedoria são vistos como o princípio feminino da iluminação, inseparavelmente unidos com o princípio masculino da compaixão e dos meios habilidosos, ou método.

Compaixão não é apenas um sentimento de piedade e empatia, mas uma força ativa, uma energia fundamental que está incessantemente trabalhando para remover as causas do sofrimento. Não se pode evitar seu surgimento, porque na realização do vazio não existem fronteiras entre a própria pessoa e os outros. Compaixão é sensibilidade absoluta, amor imparcial e preocupação ilimitada por tudo na existência. É a expressão exterior natural da bem-aventurança da iluminação. […] Meios habilidosos significam a aplicação da compaixão, a atividade iluminada que se esforça para remover o sofrimento e conduzir todos os seres conscientes em direção à suprema felicidade.

Vazio e compaixão são completamente interligados. A relação entre eles tem sido comparada à de uma chama e sua luz, ou a de uma árvore e suas folhas. A atividade no mundo não é verdadeiramente iluminada a não ser que brote da percepção de que, no sentido absoluto, nada está sendo feito ou precisa ser feito. Ao mesmo tempo, o coração desperto sente como seu próprio o sofrimento de todos que ainda não despertaram. […]

Francesca Fremantle, em “Vazio Luminoso


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