Carma não é ‘justiça’






A teoria do carma não deve ser confundida com a, assim chamada, “justiça moral” ou com “prêmio e punição”. A idéia de justiça moral, ou prêmio/punição, surge da concepção de um ser supremo, um Deus, que senta para julgar, que é um distribuidor da lei e que decide o que é certo ou errado.

O termo “justiça” é ambíguo e perigoso. Em seu nome foi feito mais mal do que bem à humanidade. A teoria do carma é a teoria da causa e efeito, de ação e reação. É uma lei natural, que não tem nada a ver com a idéia de justiça ou prêmio/punição. Toda ação produz seus efeitos e resultados.

Se uma boa ação produz bons efeitos e uma má ação, maus efeitos, isso não é justiça — ou recompensa/punição — lançados por algum ser ou poder que julga nossas ações. Mas é uma consequência da própria natureza, da sua própria lei. Isso não é difícil de entender. O que é difícil é que, segundo a teoria do carma, os efeitos de uma ação volitiva podem continuar a se manifestar mesmo em uma vida após a morte.

Walpola Rahula, em “What the Buddha Taught”.
Tricycle’s Daily Dharma, 23 de julho, 2007.


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