Apesar de sermos geneticamente programados para a felicidade temporária, também recebemos a habilidade de reconhecer em nós mesmos um senso mais profundo e duradouro de confiança, paz e bem-estar.
Dentre os seres sencientes, os seres humanos parecem se destacar em sua habilidade de reconhecer a necessidade de forjar um vínculo entre a razão, a emoção e o instinto de sobrevivência, e, ao fazê-lo, criar um universo — não apenas para si mesmos e as gerações humanas por vir, mas também para todas as criaturas que sentem dor, medo e sofrimento — no qual somos todos capazes de coexistir felizes e de modo pacífico.
Esse universo já existe, mesmo se não possamos reconhecê-lo. O objetivo dos ensinamentos budistas é desenvolver a capacidade de reconhecer esse universo — que, na verdade, não é nada mais do que a possibilidade infinita inerente em nosso próprio ser — aqui e agora. Para reconhecê-lo, entretanto, é necessário aprender a repousar a mente.
Só ao repousar a mente em sua consciência natural, podemos começar a reconhecer que não somos nossos pensamentos, nossos sentimentos nem nossas percepções. Pensamentos, sentimentos e percepções são funções do corpo. E tudo que aprendi como budista, além de tudo que aprendi sobre a ciência moderna, me diz que os seres humanos são mais do que apenas seus corpos.




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