Meios hábeis de Buda






Você pode pensar que isso é um paradoxo: Buda se contradiz, dizendo que ele não existe, que tudo é vacuidade e, então, ensinando moralidade e salvação.

Mas esses métodos são necessários para não assustar as pessoas que não estão prontas para serem introduzidas à vacuidade. Elas vão sendo amansadas e preparadas para o ensinamento verdadeiro.

É como dizer que há uma cobra e jogar a gravata [que parece a cobra] pela janela. Esses métodos sem fim são o caminho. Contudo, o próprio caminho deve um dia ser abandonado, assim como você abandona um barco quando chega à outra margem — você deve desembarcar quando chegar.

No ponto de total realização, você deve abandonar o budismo. O caminho espiritual é uma solução temporária, um placebo que deve ser usado até que a vacuidade seja compreendida.

Dzongsar Khyentse Rinpoche, em “What Makes You Not a Buddhist”.

Leia mais:
– Sobre “meios hábeis”, em “O giro da roda da lei”, no Cristal Perfeito
Amor e vacuidade
Impermanência e vacuidade


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