Amanhã não está garantido





Para aqueles que temem o nascimento e a morte, essa é uma prática para hoje.
Zurchung Sherab Trakpa (1014-1074)
“80 Capítulos de Instruções Pessoais”

Há duas grandes fontes de medo no samsara, o momento do nascimento e o momento da morte. O sofrimento e medo vivenciados nessas duas ocasiões terão que ser encarados quando estamos completamente sozinhos — não há ninguém que pode realmente nos ajudar nessa hora.

A única coisa que pode aliviar esses sofrimentos é a prática do Dharma supremo. Nada mais pode fazer isso. Mas nós não sabemos como praticar: só adquirimos esperteza para fazer coisas mundanas. Desde muito cedo, aprendemos como tornar as coisas confortáveis para nós, evitando o desconforto. Esse tipo de atitude resultou em um grau elevado de realização material. Podemos voar pelos céus em aviões e tudo mais. Fizemos da vida algo fácil, do ponto de vista material.

Mas na verdade somos como crianças perseguindo um arco-íris. Essas coisas não nos ajudam de verdade. Devemos voltar nossas mentes para o Dharma, refletindo sobre esses sofrimentos do nascimento e morte. Ao fazer isso, entramos no caminho, indo primeiro através das práticas preliminares, depois prosseguindo para a prática principal.

Ao praticarmos, iremos gradualmente saborear o gosto verdadeiro do que significa se tornar desiludido com as coisas mundanas e progredir no caminho. Isso é algo que vem com a experiência.

Mas não devemos adiar, pensando: “vou fazer essa prática amanhã, ou ano que vem…”. Se recebemos um ensinamento hoje, é hoje que devemos começar a colocá-lo em prática, porque só depois do momento que plantamos de verdade uma semente é que ela irá germinar.

Dilgo Khyentse Rinpoche (1910-1991)
“Zurchungpa’s Testament”


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