Desejo e impermanência






Talvez fosse melhor se a vida não trouxesse mudança — se pudéssemos confiar em que ela nos proporcionará felicidade duradoura.

Mas, se isso não é verdadeiro, uma compreensão calma e clara do que é verdadeiro — nenhuma condição é permanente ou confiável — enfraqueceria o ponto pelo qual o desejo nos agarra.

O sofrimento pode desvanecer-se no despertar, devido ao absurdo dos pressupostos que o sustentam. Sem reprimi-lo ou negá-lo, pode-se renunciar ao sofrimento do mesmo modo como uma criança renuncia a um castelo de areia: não reprimindo o desejo de construí-lo mas desviando-se de um esforço que já não desperta nenhum interesse.

Stephen Batchelor
“Budismo sem crenças”


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