Mestre como espelho






Se a iluminação é nossa natureza verdadeira, por que precisamos da ajuda de alguém para encontrá-la? […] Se pudéssemos atingir a liberação por nós mesmos, por que ainda não o fizemos? […]

Embora a iluminação realmente habite dentro de nós, ela tem de aparentar que vem de fora, por causa do apego ao ego. O ego não pode penetrar sua própria ilusão, não pode dissolver a si próprio. Uma das dificuldades que às vezes surge para os ocidentais em relação ao budismo vajrayana é a suspeita de que segredos estão sendo guardados de nós, que nós “não temos permissão” para fazer isso ou aquilo.

O ponto central aqui é que certas técnicas de meditação simplesmente não funcionam se tentarmos praticá-las por nós mesmos, agindo a partir da nossa própria vontade. Elas podem produzir algum efeito ou até mesmo algum poder paranormal, mas não serão capazes de transmutar confusão em sabedoria, não abrirão uma brecha na solidez do ego.

Não é que estejamos proibidos de fazer qualquer coisa. É que, psicologicamente, em nossas mentes, precisamos saber que recebemos permissão autêntica e instrução correta de uma pessoa qualificada para que a prática seja efetiva. Existe uma transmissão genuína que acontece, e para isso ocorrer uma relação de confiança deve existir entre professor e estudante.

Através do poder de adhishthana [benção], o guru nos fornece confiança em um nível muito profundo. Quanto maior a confiança que temos nele ou nela, mais a nossa própria confiança irá aumentar; é realmente um processo contínuo de se estar mais e mais receptivo a nossa natureza de buda inata.

[…] No exato momento da transmissão, a mente do guru e a mente do estudante se encontram e se tornam uma. Não existe mais nenhuma separação entre guru e discípulo. Por isso se diz que o guru nos dá de volta aquilo que sempre foi nosso.

Francesca Fremantle
“Vazio Luminoso”

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Mestre interior


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