Não praticamos sozinhos





Quando praticamos meditações ou preces de bodhicitta, pode parecer que estamos sozinhos, como se estivéssemos praticando para nós mesmos. Mas não estamos praticando para nós mesmos e não estamos sozinhos. Todos os seres estão interconectados e, neste sentido, eles estão presentes ou são afetados.

Milarepa cantava:

Quando estou sozinho, meditando nas montanhas, todos os Budas do passado, presente e futuro estão comigo. Guru Marpa está sempre comigo. Todos os seres estão aqui

Não estamos praticando sozinhos para nós mesmos, já que todos estão envolvidos e incluídos na grande abrangência de nossas preces e meditações, nessa perfeita motivação pura. A consequência natural da chamada “meditação ou prece solitária” é o benefício espontâneo para os outros. São como os raios do sol, raios que espontaneamente se propagam.

Esse coração bom e puro, essa mente vasta e aberta, são chamados em tibetano de “sem karpo”, ou “mente pura”. Significa um coração puro, vasto e aberto. Essa é a bodhicitta interior. Não é algo externo a nós, como bem sabemos, mas ainda assim é algo que podemos cultivar, gerar e personificar.

Nós falamos de ensinamentos vastos e profundos do Dharma, como Dzogchen, mas sem essa bondade no coração, esse não-egoísmo, isso é apenas falatório e racionalização.

Nyoshul Khenpo Rinpoche (Tibete, 1932-1999) e
Surya Das (EUA, 1950~)
“Natural Great Perfection: Dzogchen Teachings and Vajra Songs”
(Dharma Quote of The Week – Snow Lion)


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