Teia de aparências





Pessoas comuns [...] encaram o irreal como sendo real e esperam que o impermanente seja permanente.
Tsele Natsok Rangdröl (Tibete, séc. XVII)
“Mirror of Mindfulness”

Há muito o que dizer sobre tal afirmação. A maioria das pessoas não presta atenção a nada além do superficialmente real, como o que percebemos com nossos olhos, ouvidos, nariz e língua. Já que estamos presos na teia do que é aparente e não pensamos muito sobre o que é verdadeiro e real, raramente percebemos a verdade absoluta.

Nosso espaço está limitado à realidade superficial. Mas ao examinar as coisas com a razão e trechos das escrituras, e ao analisar os objetos percebidos e a mente que percebe, podemos chegar à compreensão de que todas as coisas não têm existência verdadeira.

A principal diferença entre budas e seres sencientes é que um buda compreendeu que todo fenômeno é totalmente desprovido de surgimento, continuidade e fim, não tendo existência verdadeira, enquanto seres sencientes acreditam que tudo é sólido e real. Outra diferença é que budas compreendem que as coisas são não-existentes enquanto seres sencientes acreditam que elas existem.

Chokyi Nyima Rinpoche (Tibete, 1951~)
“Bardo Guidebook”


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