A iluminação do Buda





A terra seja minha testemunha

"A terra seja minha testemunha"

85. Assim, quando ele estava se revelando perfeito, veio-lhe o pensamento: “Consegui alcançar este caminho puro, já percorrido em nome da natureza absoluta por linhagens anteriores de grandes sábios, que conheciam os fenômenos elevados e baixos”.

86. Nesse momento da quarta vigília da noite, quando veio o amanhecer e tudo que se move parou, o grande sábio alcançou o estado inalterável, o soberano estado da onisciência.

87. Quando, já como Buda, ele conheceu esta verdade, a terra balançou como uma mulher inebriada de vinho; as quatro direções brilharam com multidões de siddhas, e tambores divinos soaram nos céus.

88. Brisas agradáveis sopraram suaves; do paraíso vieram gotas de chuva de um céu sem nuvens, e das árvores caíram flores e frutos fora de época, em sua homenagem.

89. Nessa hora, como no paraíso, desceram do céu flores mandarava, lótus e lírios d’água de ouro e rubi, adornando o espaço em volta do sábio do clã Shakya.

90. Nesse momento, ninguém deu vazão à raiva, ninguém se sentiu doente ou desconfortável, ninguém usou meios pecaminosos ou intoxicou a mente. O mundo ficou tranquilo, como se tivesse alcançado perfeição.

91. Assembléias de deidades, devotadas à salvação, regozijaram. Mesmo seres de reinos inferiores sentiram alegria. Através da prosperidade daqueles que favorecem à virtude, o dharma se espalha por tudo e o mundo se levanta acima das aflições e das trevas da ignorância.

“Feitos do Buda” (Buddhacarita), cap. XIV
Ashvagosha (Índia, séc. 10)

Feliz iluminação do Buda a todos!!!


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