Especialmente aqui no Ocidente, quando as pessoas pensam sobre meditação, elas imaginam algo muito especial. Quando você pratica meditação, você espera ver, agarrar, sentir, cheirar ou saborear algo especial. Você tem esperança de conseguir algo ou de ser capaz de trazer algo especial de sua meditação.
Todas essas noções estão mal conduzidas. Na prática de fato da meditação você coloca de lado todas as suas viagens samsáricas e, deixando elas serem, você não faz nada de especial. Já que a própria natureza do estado desperto em si está além do nascimento, permanência e cessação, como a meditação poderia na realidade estar fazendo algo?
Não há nada no que meditar, e nem há nenhuma base para a meditação. A essência disso é a fruição. A própria fruição espiritual é transformada no caminho. Há uma fruição ou culminância da prática espiritual?
Para transformar o fruto no caminho, você pratica sem qualquer esperança de alcançar nada e sem nenhum medo de fracassar. Você pode perguntar: “Bem, eu não me tornarei um Buda? Se eu praticar, isso não vai levar à realização do estado búdico?”.
Você transforma a fruição — que é o estado búdico — no caminho. […]
“Não há de fato um resultado que advém de seguir a prática?”. Minha resposta para isso é: “Você não consegue se satisfazer em transformar o fruto no caminho?”.
Gyatrul Rinpoche (China, 1924 ~)
“Natural Liberation”, parte 2 | 5





comentários