Vacuidade e compreensão sobre karma






Dilgo Khyentse Rinpoche

Dilgo Khyentse Rinpoche

A menos que você tenha entendido a lei do karma, dizer que você realizou a visão se torna uma mentira.
(Zurchung Sherab Trakpa, Tibete, séc. 11)

Sem compreender o princípio de causa e efeito kármicos, qualquer prática do Dharma que você fizer será simplesmente uma imitação do artigo autêntico. Como costuma ser dito, “a visão deve ser tão elevada quanto o céu, mas a conduta precisa ser mais refinada que farinha”.

Quando você se encontra a ponto de cometer mesmo a menor das ações negativas, você não deve se atrever porque sabe que isso causará sofrimento. E se tiver a oportunidade de executar mesmo uma minúscula ação positiva, você deve ansiosamente fazer isso, sabendo que irá ajudá-lo a acumular mérito e progredir em direção à liberação.

Por outro lado, não será de ajuda nenhuma pensar que ações negativas não importam porque podem ser purificadas por confissão ou porque, devido à sua arrogante visão, não há tal coisa como positivo ou negativo, bom ou ruim. Um praticante que tenha realmente compreendido a vacuidade na natureza de tudo tem espontaneamente uma compreensão muito mais clara da interdependência e está convencido de que ações inevitavelmente produzem efeitos.

Dizer que realizou a visão, sem compreender a lei de causa e efeito, é uma mentira, assim como dizer que não há necessidade de evitar ações negativas e adotar positivas. É por isso que Shechen Gyaltsap aponta:

Você precisa dominar o ponto essencial de que a vacuidade se manifesta como causa e efeito.

Quanto mais completa for a realização da vacuidade, mais claramente se vê a relação infalível entre causa e efeito dentro da verdade relativa.

Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 – Butão, 1991)
“Zurchungpa’s Testament”, II | 10


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