Impermanência sutil






Todos têm um entendimento grosseiro sobre a impermanência; raramente ele chega a um nível sutil. Nós consideramos alguma coisa permanente até que ela seja destruída. Por exemplo, uma pessoa é permanente até que ela morre; um copo é permanente até cair e quebrar. Esse é um entendimento grosseiro da impermanência.

Ao entender a impermanência sutil, compreendemos que tudo muda de instante a instante, momento a momento. A cada micro-segundo uma pessoa está mudando.

Podemos dar ao envelhecimento um brilho confortável dizendo que uma criança está crescendo e ficando maior, mas, na verdade, a partir do momento que ela nasce, a criança envelhece todo dia e cresce em direção à morte. O mesmo vale para as estações e todas as outras coisas.

Dizemos: “agora é verão”, e temos a ideia de que, embora o verão seja impermanente, ele parece ininterrupto. O verão de repente acaba e chamamos isso de outono. Na realidade, as coisas mudam a todo instante; mesmo as partículas mais sutis de matéria mudam continuamente. Nada permanece estável de um momento para outro. Isso é a impermanência sutil.

A impermanência é um fato com que devemos nos acostumar e não esquecer. Façamos com que essa compreensão cresça em nossas mentes. Assim, teremos menos apego às coisas desta vida, e nossa habilidade de entender os ensinamentos, colocá-los em prática e repousar na equanimidade da meditação vai aumentar. Treinar a mente na compreensão da impermanência tornará mais fácil a prática da meditação.

Costuma ser dito: “se você se agarra a esta vida, não é um praticante”. Ao se apegar às coisas desta vida e sentir que o que temos não é suficiente, desperdiçamos nosso tempo e lentamente nossa vida se esvai.

Chokyi Nyima Rinpoche (Tibete, 1951~)
“Bardo Guidebook”


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