Dano auto-infligido






[…] Quando vemos uma pessoa como cem por cento desagradável, sem nenhum atributo, sentimo-nos justificados em nosso desprezo. Quando sentimos aversão, tendemos a organizar o quadro como uma grande caricatura. Mas ninguém é uma caricatura. Para dissolver isso, preste mais atenção. Deve haver algo mais acontecendo.

Um inimigo é alguém que nos causou dano ou a alguém a quem consideramos, intencionalmente ou não, por meio de trapaças, abusos ou fraudes. Se a sua resposta for o ódio, o inimigo venceu. O inimigo deseja causar dano, e se a nossa resposta for contorcer nosso coração pela raiva, o efeito da ação do inimigo encontrou eco.

A pessoa que deseja nos causar dano deve ficar satisfeita ao nos atingir com o primeiro soco da sua agressão, e dobrará o resultado com o ressentimento infligido por nós. Na longa corrida, nossa própria raiva e ressentimento nos causarão um sofrimento maior do que qualquer dano infligido por outra pessoa. Quando nossa resposta é o ódio, nosso inimigo acertou em cheio. Por outro lado, podemos interromper o jogo dizendo: “Você me ofereceu de presente seu ódio, mas eu escolhi não aceitar.” Isso é possível.

B. Alan Wallace (EUA, 1950 ~)
“Budismo com Atitude”, cap. 2


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