Aflição-raiz






17º Karmapa (Tibete, 1985 ~):

A prática do Dharma é pacificar as aflições e conceitos que preenchem nossas mentes. Quando unimos os ensinamentos com nossas mentes, o poder do Dharma pode agir e pacificar aflições e conceitos.

Se, externamente, parecemos praticantes do Dharma mas, por dentro, nossa prática não reduziu nossas aflições e conceitos, apenas dizemos que somos praticantes, sem realmente ser. Isso não quer dizer que o comportamento externo, nosso reflexo no mundo, não seja importante, mas o crucial é o treinamento em domar nossas mentes.

O que domamos são as três aflições principais: ignorância, apego e aversão. A ignorância — a raiz das outras duas — é definida como uma fixação contínua no nosso eu, que tomamos como algo permanente e independente. Esse apego ao ego é a causa principal de estarmos vagando em círculos no samsara.

Desejamos estar no paraíso para nossa própria vantagem, desejamos apagar todo sofrimento para nossa própria vantagem. Nos agarramos a esse nosso eu, pensando que ele é tão especial que nem devemos nos preocupar com problemas mas apenas desfrutar de prosperidade, poder e carisma. Se observarmos honestamente nossas próprias mentes, é bem fácil ver esse tipo de apego grosseiro e óbvio a um ego.

Há também formas sutis de fixação no ego (“eu”) e no que pertence a ele (“meu”), como o rápido pensamento sobre nós mesmos antes que outro venha. Ao praticar o Dharma, domamos esses apegos sutis e grosseiros ao ego. Se isso não acontecer, só seremos capazes de meramente suprimir as aflições temporariamente, nos distanciando por algum tempo. Para cortá-las completamente, precisamos nos aplicar com firmeza à prática.

Music in the Sky: The Life, Art and Teachings of the Seventeenth Karmapa
(Snow Lion – Dharma Quotes of the Week, 16/12/11)


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