O conceito de eu






Joseph Goldstein:

[...] Nessa grandiosa exibição contínua dos elementos, a natureza vazia, insubstancial e condicional do arco-íris se torna clara. Ele não é alguma coisa esperando nos bastidores (ou atrás das nuvens) para entrar em cena. Em vez disso, ele aparece apenas quando as condições certas estão presentes.

Do mesmo modo, para cada um de nós, o que chamamos de “eu” é como esse arco-íris: uma aparição, uma exibição surgindo de diversos elementos variáveis de mente e corpo interagindo entre si.

Mas mesmo quando compreendemos a natureza condicionada do que chamamos de “arco-íris”, ainda usamos a palavra como uma designação conveniente. Ao ver o lindo arco de luz no céu, provavelmente não diríamos para alguém: “Acabo de ver a luz se misturando com a umidade no ar produzindo um espectro de cor!”. Não, provavelmente diríamos: “Ei, veja o lindo arco-íris”.

Conceitos são úteis. E saber que “arco-íris” é apenas uma designação para uma aparição não muda nada na percepção dela. O fenômeno continua exatamente como sempre foi. Nós simplesmente não estamos nos enganando achando que é algo substancial, existente por si mesmo. Compreendendo isso, não vamos correr atrás do suposto pote de ouro no fim do arco-íris.

Mas como não compreendemos o “eu” como um conceito, igual a “arco-íris”, frequentemente corremos atrás do pote de ouro no final desse arco-íris do eu. Continuamos procurando na esperança de que esse eu vai encontrar satisfação, ou completude ou felicidade, jamais compreendendo que o problema é o próprio eu que está procurando. O escritor Wei Wu Wei escreveu: “É como um cão latindo para uma árvore que não está lá”.

“One Dharma” (loc. 2379)
(traduzido no Brasil como “Dharma – O caminho da libertação”)


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