Reconhecer nossa falsidade






É muito importante para nós reconhecermos a nossa própria falsidade. Isso não é um julgamento sobre o fato de que às vezes somos autênticos e às vezes, falsos. Significa que tudo sobre nós, em nosso sentido comum de eu, é falso, porque se baseia em um entendimento enganado sobre a natureza da realidade […].

É como alguém na faculdade passando pelos exames finais. Ela entra na sala de prova errada e, sem ler as questões muito bem, escreve longas respostas sobre seus assuntos que, infelizmente, não são aqueles em que ela precisa ser examinada. Não importa quão boa seja a resposta, ela vai falhar, porque não está se dirigindo à questão.

A questão básica sempre é: “Quem é você?”, “Quem sou eu?”, mas não compreendemos isso e, assim, respondemos com uma narrativa sem fim sobre auto-definição.

Isso bloqueia o frescor da questão, a possibilidade de olhar e ver; então, todas nossas respostas são antiquadas: são reconstruções de versões auto-defensivas a partir de elementos não-examinados. Temos muitas, muitas respostas; e todas elas são falsas. É por isso que é muito importante, ao meditar, colocar toda sua energia de modo unidirecionado na prática, para tentar reparar o erro básico inicial que separou sujeito e objeto.

É muito importante parar de sentir vergonha de ser falso. Porque precisamos ver como a falsidade surge, como o obscurecimento se desenvolve. Queremos olhar diretamente em nossa própria falsidade e aprender seus truques para que não sejamos enganados por eles. Isso ajuda a abrir o espaço onde podemos reconhecer nossa própria natureza.

“Quando você compreender a falsidade da sua confusão, permaneça de modo não artificial, sem esforço, no modo natural (dharmakaya).”

James Low
“Being Right Here”
( Dharma Quote of the Week – Snow Lion, 2012-04-16)


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