Desconforto e distrações






[…] Há uma necessidade fundamental de entrar em contato direto e não oscilante com nossa natureza buda, e o que evita isso é a mente dualista, que se agarra, e seus processos mentais condicionados.

Há um desconforto subjacente que sutilmente permeia nossas experiências. Um observador inconsciente escreve o roteiro, sem notar o verdadeiro brilho interno. Para escudar e proteger essa desatenção, ele tenta diversos cenários para criar uma perspectiva aparentemente confortável, oferecendo distrações como drogas, álcool, meditação [presa a expectativas], espiritualidade New Age, entretenimento, política e esportes.

Qualquer coisa que nos tire da abertura do momento presente é uma opção viável. Podemos gastar nossa vida inteira vagando cada vez mais longe. Projetamos nossa energia natural para fora, procurando outros, vendo as crianças crescerem, se preocupando com o jardim, arrumando a casa e trabalhando. Não há nada de errado com qualquer uma dessas coisas; mas isso simplesmente não é suficiente para a pessoa com inclinação espiritual.

Reconhecer isso pode fazer com que busquemos respostas em lugares diferentes. Aqui está a ironia: tudo que precisamos saber é como encontrar nossa própria natureza interior. Precisamos começar fora de nós para fazer isso.

Marcia Dechen Wangmo, em “Confessions of a Gipsy Dakini“, loc. 165


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