Meditação não é relaxante






Tai Situ Rinpoche (Tibete, 1954 ~ ):

[…] muitas vezes, iniciantes consideram a meditação do calmo descansar [shamata] meramente como um relaxante. Há muitos relaxantes disponíveis hoje em dia, mas algumas pessoas gostam mais do calmo descansar do que de comprimidos. Elas podem até ficar tão envolvidas em estar relaxadas que nem estão fazendo nenhuma prática de boditchita absoluta, mas apenas administração de estresse.

Nós não estamos fazendo meditação do calmo descansar para lidar com nosso estresse. Estamos praticando o calmo descansar e a meditação da boditchita absoluta para alcançar o estado búdico para o benefício de todos os seres sencientes. Precisamos estar progredindo verdadeira e sinceramente, não apenas tentando se sentir bem. Podemos nos sentir bem, mas isso é um bônus. É permitido que nos sintamos bem, não há nada de errado com isso, mas se estamos fazendo nossa meditação para nos sentir confortáveis então estamos fazendo pelo motivo errado.

Posso descrever esse sentimento ao qual é possível ficarmos apegados: da cabeça aos pés, sentimos como se não houvesse doença, moléstia, desconforto — sentimos tudo como absolutamente perfeito. Mesmo se temos um resfriado, na meditação é como se eu estivesse nadando em um oceano de mel — perfeito.

No entanto, se ficamos apegados a esse estado, voltamos à estaca zero. É como se nossa meditação não cumprisse nenhum outro propósito do que a nossa dose diária de relaxantes — e esse não deve ser o caso.

Para interromper isso, sessões curtas são recomendadas para iniciantes, assim como a tomada de refúgio e o desenvolvimento da boditchita relativa, no começo de cada sessão, e a dedicação do mérito, na conclusão. Essas coisas nos lembram exatamente porque estamos meditando. Podemos nos perder em coisas ruins, mas também podemos nos perder em coisas boas, no entanto devemos tentar não se perder em lugar nenhum.

“Ground, Path and Fruition”, loc. 4298


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