Campo fértil da tristeza






Dzongsar Khyentse Rinpoche (Butão, 1961 ~):

Para aqueles que sabem como usá-la, a tristeza é um campo fértil de onde todos os tipos de pensamentos benéficos podem brotar com muito pouco esforço. Jigme Lingpa descreveu a tristeza como um dos bens mais valiosos, e nos sutras Buda louvou a tristeza como algo que abre o caminho para todas as boas qualidades posteriores.

Com a tristeza vem confiança e devoção, que — uma vez desenvolvidas — fazem com que as práticas de shamata e vipashyana exijam muito pouco esforço. A prática de shamata garante que a mente se torne maleável e trabalhável — uma mente flexível faz da vipashyana algo relativamente fácil de consumar.

Como o Buda disse para a assembleia de monges durante seus ensinamentos sobre o vinaya, a disciplina ajuda a manter samadhi; acostumar-se com samadhi faz com que prolonguemos nossos períodos de sobriedade, e sobriedade nada mais é do que sabedoria.

Tendo realizado a sabedoria, não estamos mais atados pelo desejo, raiva e ignorância e somos capazes de perceber todos os fenômenos como eles realmente são.

“Not For Happiness”, loc. 815


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