Reduzir planos e projetos






Mingyur Rinpoche, durante seu retiro de iogue das cavernas (desde 2011) nos Himalayas

Mingyur Rinpoche, durante seu retiro de iogue das cavernas (desde 2011) nos Himalayas

Yongey Mingyur Rinpoche (Nepal, 1975 ~):

[…] é importante não ceder à nossa tendência de preguiça e de adiar a prática para amanhã, o mês seguinte ou o ano que vem. Podemos gastar nossas vidas pensando: “vou praticar amanhã, ou depois”, então a vida se esgota e, um dia, é hora de morrer. Na morte, nosso único suporte é a prática pessoal, então reduza seus planos e projetos.

É muito melhor, e na verdade muito mais prático, pensar: “Posso morrer logo de qualquer modo, então qual a utilidade de planejar todas essas coisas? Se eu não praticar agora, chegará o dia em que lamentarei”.

Ao não projetar planos e envolvimentos muito longe no futuro, descobriremos que somos capazes de praticar em tempo integral. Milarepa disse: “Não há fim para objetivos mundanos, eles só terminam quando você para”. Enquanto estivermos envolvidos em todo tipo de ações e negócios, eles nunca terminam. O único modo é uma quebra limpa, pondo fim à continuidade de todas essas preocupações.

Quando somos capturados por nossos projetos, fazer isso e aquilo, uma coisa depois da outra, sentimos: “Melhor eu fazer isso! Depois aquilo! Isso vai melhorar totalmente minha situação!”. Esforçando-se tanto para conseguir pequenos sucessos, mascaramos o fato de que na verdade estamos sendo preguiçosos. Nossa atividade sem fim, que evita o que é realmente importante, na verdade é preguiça.

Seria muito melhor chegar logo à decisão, sincera e conclusivamente, de parar de desperdiçar nosso tempo. Temos que reconhecer que nossas mentes são instáveis e que as aparências são sedutoras. Não vai bastar simplesmente continuar do jeito atual.

Embora estes sejam tempos modernos, ainda temos incríveis instruções preciosas à mão que, quando aplicadas, nos permitem despertar para a iluminação verdadeira e completa neste mesmo corpo, nesta mesma vida. Mas como a maioria de nós gasta nosso tempo em indolência e atividades sem sentido, ignorando a importância da prática genuína, há apenas alguns poucos mestres realmente realizados. […]

É dito que é melhor se você puder equalizar vida e prática abandonando todos os envolvimentos mundanos, a partir de uma renúncia profunda por todo o samsara. Tenha fé nas Três Jóias e confiança sincera nas consequências de atos kármicos e na realidade de vidas passadas e futuras.

Se puder praticar desse modo, sua mente irá se tornar indivisível com a mente do guru, e nesta mesma vida você será capaz de “capturar o trono real da primordialmente pura Grande Perfeição”.

A segunda melhor opção é sempre agir de modo honesto e verdadeiro e viver de acordo com princípios espirituais. Ocasionalmente, tenha a oportunidade de praticar mais intensamente em um contexto de retiro.

No mínimo do mínimo, você deveria tentar se lembrar com a maior frequência possível do que seu guru lhe disse, e ser verdadeiro e honesto no que quer que faça. Mantenha um bom coração e regularmente tente fazer coisas que sejam de ajuda para os outros. Cultive uma atitude de amor e compaixão. Seja gentil e bondoso, e suplique ao guru.

Qualquer um desses modos de vida vai agradar seu guru e, se você não chegar à iluminação nesta mesma vida, então chegará no momento da morte ou no bardo. No mínimo, você terá garantido o estado búdico em alguma de suas vidas futuras. De um modo ou de outro, você não está longe do onisciente estado de um buda.

“As It Is”, vol. 1 (prefácio)


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