Rede de compaixão






Dentro dos seis reinos não estamos conscientes da grande mandala de sabedoria dos budas. Ainda assim, ela segue atuando. Sua Santidade o Dalai Lama diz: “Podemos não reconhecer a cultura de paz, mas é ela que sustenta o planeta. Todos nós nascemos e fomos cuidados por nossas mães. Depois alguém assumiu o papel de nos dar nascimento humano, de nos inserir em um grupo, nos inserir na comunidade e ampliar nossas conexões com o mundo. Sempre fomos protegidos por alguém”. As pessoas que cuidaram de nós não fizeram isso por dinheiro, não foram contratadas com esse objetivo. Fizeram-no por compaixão e amor. Sua Santidade o Dalai Lama afirma: “O mundo é sustentado por uma dimensão compassiva”.

Existe uma energia que flui de modo naturalmente positivo, e faz com que tudo se sustente e funcione. É importante nos darmos conta disso, como o adolescente que um dia percebe que seus pais não tinham nenhuma obrigação de sustentá-lo, lavar sua roupa, cozinhar para ele, mas que sempre fizeram isso por puro amor.

Também o sol não precisa levantar-se a leste ou se pôr a oeste todos os dias. A chuva não precisa chover. As plantas não precisam crescer. Mas tudo isso acontece e nos acolhe, nos protege. Em algum momento, nos sentimos inundados de bençãos. Bençãos silenciosas que nos sustentaram e cuidaram de nós por um longo tempo sem nos darmos conta, como uma criança que não percebe que é sustentada e acolhida pela energia de compaixão amorosa dos pais e de outros seres.

O Dalai Lama observa: “Essa dimensão existe e, independente de a compreendermos ou não, está operando. E nós podemos agir em harmonia com ela ou não”. Quando entendemos essa dimensão mais ampla, atuamos de uma forma harmônica com essa mandala, nossa energia movimenta-se naturalmente dentro dela, e não precisamos de esforço, não precisamos lutar contra nós mesmos; não surgem impulsos contraditórios às regras.

Padma Samten, em Mandala do Lótus.


comentários